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Martin St. Louis demorou mais do que o habitual a chegar à sala de conferências de imprensa do Bell Centre depois de os Montreal Canadiens terem sofrido uma derrota esmagadora por 7-0 contra os Dallas Stars no seu jogo marco número 300 como treinador principal. Quando questionado se precisava de um momento para se acalmar, insistiu que não. A sua preocupação imediata era a lesão de Alex Newhook, o quinto melhor marcador dos Canadiens esta época com 12 pontos em 17 jogos. Embora Newhook estivesse oficialmente a ser avaliado após o jogo, estava claro para todos que a sua lesão no tornozelo era grave; a torção anormal durante o segundo período confirmou isso. O ala direito Brendan Gallagher, um colega de equipa, reconheceu que Newhook estaria fora por algum tempo, enfatizando a importância desta época para ele e para a equipa, dado o seu árduo trabalho na pré-época e o forte desempenho até agora.\n\nAs recentes derrotas consecutivas em casa dos Canadiens contra os Los Angeles Kings e os Dallas Stars, com um placar combinado de 12-1, refletem dificuldades mais profundas. A equipa está a ter dificuldades em executar jogadas básicas — passes, controlo do puck, defesas do guarda-redes e foco defensivo têm falhado. O seu power play é particularmente ineficaz, tendo falhado em marcar em 11 tentativas consecutivas nos jogos recentes. O capitão Nick Suzuki expressou frustração, apontando a falta de execução e a tendência para jogar demasiado na periferia em vez de atacar de forma mais decisiva. Suzuki sublinhou a necessidade de o power play ser um fator vencedor, o que atualmente não é.\n\nNo entanto, os jogadores da NHL normalmente não ficam para baixo por muito tempo. Os guarda-redes Sam Montembeault e Jakub Dobeš, apesar da noite difícil deste último ao permitir cinco golos, esperam-se que se ajustem e melhorem. Os problemas dos Canadiens parecem solucionáveis se conseguirem recuperar a confiança e a consistência. Suzuki resumiu simplesmente: a equipa precisa de voltar a ser ela própria.\n\nA lesão de Newhook, porém, pode ser o evento mais significativo a impactar os Canadiens neste momento — ainda mais do que as derrotas pesadas, as mudanças de guarda-redes ou as reações negativas da multidão. A sua ausência obriga a equipa a reconsiderar o que significa realmente "ser nós". No último minuto de uma derrota avassaladora, St. Louis enviou para o gelo Ivan Demidov, Kirby Dach e Zack Bolduc — uma combinação digna de nota, já que Demidov tem partilhado tempo significativo no gelo com Newhook e Oliver Kapanen, que juntamente com Newhook são dos avançados mais produtivos da equipa no jogo cinco contra cinco.\n\nSt. Louis tem falado frequentemente sobre os Canadiens jogarem em ondas, confiando numa profundidade forte em vez de apenas no poder das estrelas — uma estratégia alinhada com a teoria do "elo fraco", onde a profundidade geral de uma equipa supera a do adversário. Mas a lesão de Newhook pode levar St. Louis a considerar mudar para uma estratégia de "elo forte", focando-se mais fortemente no talento de topo ao concentrar o poder ofensivo nos seis melhores avançados. Isto poderia significar colocar Demidov com Dach e Bolduc enquanto se formam duas linhas de checking atrás, mudando para uma formação tradicional de seis melhores/six inferiores. Tal mudança representaria uma alteração filosófica, não apenas uma troca de pessoal.\n\nAntes do jogo, St. Louis tocou brevemente na sua relutância em mudar uma formação largamente saudável e estável, mas reconheceu que as lesões por vezes forçam novos experimentos. Agora, com Newhook fora, tem a oportunidade de tentar algo diferente. Newhook, que estava a construir um papel vital na NHL esta época, deixa uma lacuna mas também abre portas para a equipa explorar novas estratégias.\n\nO capitão Suzuki parece aberto a esta abordagem, reconhecendo a importância da linha de Newhook mas também expressando confiança de que outros jogadores vão assumir responsabilidades. Suzuki já está a jogar muitos minutos, por isso a equipa tem de encontrar equilíbrio. O aumento recente do tempo de jogo de Bolduc sugere a vontade de St. Louis em redistribuir a carga de trabalho. Em última análise, os Canadiens enfrentam uma encruzilhada: manter o foco na profundidade ou mudar para maximizar o talento de topo na esperança de inverter a sua recente queda. Embora não seja uma solução simples, esta nova realidade apresenta pelo menos um caminho a seguir em meio a um período difícil para a equipa.