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Um tribunal especial no Bangladesh condenou a ex-Primeira-Ministra Sheikh Hasina à pena de morte por crimes contra a humanidade. As acusações estão relacionadas com uma grande revolta no ano passado, que acabou por pôr fim ao governo de 15 anos de Hasina. O veredicto foi proferido na segunda-feira em Daca, a capital, e transmitido em direto para a nação. Antes do anúncio, o governo interino aumentou significativamente a segurança na cidade e noutras regiões, mobilizando soldados, guardas fronteiriços paramilitares e forças policiais para manter a ordem.\n\nO partido político de Hasina, a Liga Awami, respondeu rapidamente convocando uma paralisação nacional para protestar contra a decisão do tribunal. A própria Hasina, atualmente exilada na Índia, foi julgada à revelia e denunciou o tribunal como um "tribunal canguru." Criticou também o advogado nomeado pelo Estado para a defender, rejeitando a legitimidade do julgamento. Juntamente com Hasina, o ex-Ministro do Interior Asaduzzaman Khan, que também se acredita estar na Índia, enfrentou acusações semelhantes. No entanto, um terceiro suspeito, um ex-chefe da polícia que se tornou testemunha do Estado, declarou-se culpado, pelo que não foi recomendada qualquer pena para ele. Os veredictos do tribunal para os três foram anunciados no mesmo dia.\n\nAs acusações derivam da violência generalizada durante uma revolta estudantil no verão de 2024, que alegadamente resultou em centenas de mortes. Relatórios das Nações Unidas e de autoridades de saúde estimam que entre 800 e 1.400 pessoas possam ter perdido a vida, com milhares de feridos. A agitação perturbou gravemente a vida quotidiana, incluindo a educação e o transporte, à medida que bombardeamentos e ataques incendiários se tornaram comuns em todo o país. Em resposta à escalada da violência, o chefe da polícia de Daca emitiu uma ordem rigorosa de "disparar à vista" contra aqueles envolvidos em incendiar veículos ou lançar bombas artesanais.\n\nO clima político no Bangladesh permanece altamente instável após a destituição de Hasina a 5 de agosto de 2024. Após a sua saída, o laureado com o Prémio Nobel da Paz Muhammad Yunus foi nomeado para liderar um governo interino. Yunus prometeu trazer justiça e proibiu as atividades da Liga Awami. Anunciou também que novas eleições seriam realizadas em fevereiro, mas o partido de Hasina não seria autorizado a participar. Apesar destas medidas, a violência continua, com múltiplas explosões e ataques incendiários reportados nas últimas semanas, resultando em vítimas e medo generalizado.\n\nA decisão do tribunal especial aprofundou as divisões dentro do país. Hasina sobreviveu a inúmeras tentativas de assassinato ao longo da sua carreira política, e os seus apoiantes mantêm-se firmes. As autoridades preparam-se para mais agitação, à medida que os protestos e paralisações convocados pela Liga Awami continuam a perturbar a vida normal. A situação permanece fluida, com potencial para nova escalada ou possível reconciliação política dependendo da resposta do governo e da oposição nas próximas semanas.