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A faixa icónica dos Pink Floyd "Shine On You Crazy Diamond" acaba de receber uma reedição histórica, apresentada como uma peça contínua de 25 minutos pela primeira vez. Este lançamento coincide com a edição do 50º aniversário do seu mestre de 1975, Wish You Were Here, que será lançado no próximo mês. O álbum, uma das obras mais celebradas da banda, vendeu mais de 20 milhões de cópias em todo o mundo e agora apresenta uma nova mistura Dolby Atmos por James Guthrie, um colaborador de longa data que começou a trabalhar com os Pink Floyd durante a produção de The Wall em 1976.\n\nOriginalmente, "Shine On You Crazy Diamond" foi dividido em duas partes no álbum — as partes 1 a 5 abriam-no, enquanto as partes 6 a 9 fechavam-no. A canção presta homenagem a Syd Barrett, guitarrista e vocalista fundador dos Pink Floyd, cujas dificuldades de saúde mental se tornaram evidentes durante a sua atribulada digressão pelos EUA e que eventualmente levou à sua saída em 1968. David Gilmour, que inicialmente se juntou à banda para apoiar Barrett na guitarra, acabou por o substituir a tempo inteiro. A faixa é famosa por ser construída em torno de um acorde distinto, muitas vezes aclamado como “o acorde mais famoso da história do rock.” O próprio Gilmour chama-lhe um arpejo em vez de um acorde porque toca as notas individualmente — G, F, B♭ e E — em vez de as dedilhar em conjunto, o que dá à canção a sua textura lindamente assombrosa.\n\nGilmour revelou que tropeçar nesse acorde foi um feliz acidente durante uma sessão de ensaio. Numa entrevista de 2006, contou como a banda sentiu algo especial quando ele o tocou. “Algo no teu cérebro diz, Há algo aí! Fazes de novo, e depois de um tempo, as outras pessoas na sala param,” explicou. Disse que houve um “momento de despertar” entre os seus companheiros de banda, uma sensação de que estavam a caminho de algo verdadeiramente significativo. Esse momento tornou-se a semente de onde "Shine On" cresceu.\n\nCriar o álbum Wish You Were Here não foi sem desafios. Após o enorme sucesso de The Dark Side of the Moon, a banda enfrentou pressões e incertezas. Gilmour admitiu à NPR que estavam num “lugar muito estranho,” a lutar contra o que é frequentemente chamado de síndrome do “segundo álbum difícil,” embora tecnicamente este não fosse o seu segundo álbum. As enormes expectativas deixaram-nos a questionar as suas motivações — se estavam nisto pela arte, fama ou dinheiro — o que criou uma certa letargia no estúdio.\n\nRefletindo sobre o seu breve tempo com Barrett, Gilmour expressou uma mistura de tristeza e nostalgia. Numa entrevista de 2024, descreveu imagens de Barrett a dançar e rir num concerto, contrastadas pela trágica realidade do seu declínio mental. Gilmour reconheceu que, embora fosse novo na banda, era claro para os outros que ele estava destinado a assumir o lugar. Só tocaram cinco concertos juntos, marcando um fim comovente a esse capítulo da história dos Pink Floyd.\n\nA edição do 50º aniversário de Wish You Were Here será lançada a 12 de dezembro pela Sony Music, que recentemente adquiriu o catálogo da banda por impressionantes 400 milhões de dólares. A reedição estará disponível em vários formatos, incluindo uma Caixa Deluxe e uma edição em Blu-ray com três filmes de concertos da digressão de apoio, além de um curta-metragem sobre Storm Thorgerson, o artista por trás de muitas das capas icónicas dos Pink Floyd.\n\nApesar das esperanças dos fãs, qualquer hipótese de uma reunião dos Pink Floyd foi descartada pela disputa contínua entre Gilmour e o ex-baixista Roger Waters. Entretanto, Gilmour mantém-se ocupado, já a trabalhar no seguimento do seu mais recente álbum a solo, Luck and Strange. O autor deste texto, Phil, é um jornalista musical freelancer e músico, profundamente envolvido no metal progressivo e apaixonado por destacar artistas menos conhecidos ao lado de grandes lendas como os Pink Floyd.