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O Líbano reportou que um ataque israelita na noite de terça-feira teve como alvo o campo de refugiados palestinianos de Ain al-Helweh, no sul do país, matando pelo menos 13 pessoas e ferindo muitas outras. O campo, localizado perto de Sidon, é o maior assentamento de refugiados palestinianos no Líbano. O exército israelita disse ter atingido um complexo do Hamas na área, alegando que visavam terroristas que operavam num local de treino do Hamas. No entanto, o Hamas negou veementemente qualquer presença militar nos campos, rotulando as alegações de Israel como falsidades. Testemunhas e médicos locais descreveram cenas caóticas com bombeiros a combater incêndios enquanto homens armados disparavam para abrir caminho para ambulâncias que transportavam os feridos para hospitais próximos.\n\nO Ministério da Saúde libanês confirmou o número de mortos e afirmou que os esforços de resgate estavam em curso. A Agência Nacional de Notícias estatal reportou que o ataque atingiu um carro perto da Mesquita Khalid bin al-Walid e mais tarde também a mesquita e um centro próximo com o mesmo nome. Apesar destas alegações, um correspondente da AFP no local não observou danos no edifício da mesquita. No entanto, os trabalhadores de resgate estavam a recuperar partes de corpos nas imediações, indicando a gravidade do ataque. Este ataque faz parte de uma série de operações israelitas contra alvos no Líbano, apesar de um cessar-fogo acordado em novembro passado destinado a parar as hostilidades com o Hezbollah, um aliado próximo do Hamas.\n\nIsrael normalmente dirige as suas ações militares contra o Hezbollah, que recebe apoio do Irão, mas também realizou ataques contra operativos do Hamas dentro do Líbano. Em meio a tensões crescentes após os ataques com foguetes do Hezbollah a Israel desde outubro de 2023, o governo libanês, sob pressão dos Estados Unidos e temendo uma escalada maior, iniciou esforços para desarmar o Hezbollah e outros grupos armados. O presidente palestiniano Mahmoud Abbas e o presidente libanês Joseph Aoun concordaram no início deste ano em entregar armas dos campos palestinianos às autoridades libanesas. Enquanto algumas facções em Ain al-Helweh cumpriram, o Hamas não anunciou quaisquer planos para se desarmar no Líbano.\n\nEntretanto, a violência continuou na Cisjordânia ocupada, onde dois adolescentes palestinianos lançaram um ataque com faca, matando um civil israelita e ferindo três outros. O ataque ocorreu na junção de Gush Etzion, um cruzamento chave entre assentamentos israelitas a sul de Jerusalém. As forças israelitas responderam com força letal, matando os atacantes e alegadamente encontrando explosivos no seu veículo. A vítima foi identificada como Aharon Cohen, um residente de 71 anos do assentamento próximo de Kiryat Arba. Entre os feridos estava uma mulher em estado grave que sofreu um ferimento por bala, provavelmente disparado por pessoal de segurança israelita que respondia ao ataque.\n\nA Autoridade de Assuntos Civis Palestiniana nomeou os atacantes como dois jovens de 18 anos de Hebron, e grupos militantes israelitas e palestinianos elogiaram o ataque, enquadrando-o como retaliação contra as políticas e agressões israelitas na Cisjordânia e Jerusalém. A região de Gush Etzion tem um histórico de tais ataques, e autoridades israelitas locais prometeram respostas severas. O Conselho Yesha culpou o governo israelita pela recusa em anexar a Cisjordânia por alimentar a violência. Desde que a guerra em Gaza começou em outubro de 2023, a violência na Cisjordânia aumentou, com mais de 1000 palestinianos mortos por forças israelitas ou colonos e pelo menos 44 israelitas mortos em ataques ou operações militares.\n\nO ataque ocorreu um dia depois de forças israelitas desmantelarem um posto avançado ilegal de colonos na área de Gush Etzion, e após incidentes de incêndio criminoso contra casas e veículos palestinianos nas proximidades. O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu condenou a violência dos colonos, mas prometeu agir firmemente contra elementos extremistas. A complexa situação de segurança na Cisjordânia e no sul do Líbano reflete um conflito regional mais amplo que permanece volátil, sem uma resolução clara à vista.