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Há alguns anos, blockchain, Web3 e NFTs eram a grande moda nos jogos, prometendo mudar completamente a forma como pensamos sobre propriedade digital. Em 2021, estas palavras da moda estavam por todo o lado em conferências de jogos, com hype sobre “propriedade digital verdadeira”, modelos “play-to-earn” e economias dirigidas pelos jogadores dominando as conversas. Com o mercado cripto em alta e os tokens a disparar em valor, até os editores de jogos mais cautelosos sentiram pressão para entrar na onda.\n\nA ideia era simples: os jogadores possuiriam itens digitais de forma verificável e única, graças à tecnologia blockchain. Os NFTs pareciam o encaixe perfeito, oferecendo uma forma de realmente possuir ativos digitais em vez de apenas licenciá-los. O hype chegou mesmo à cultura pop mainstream — lembra-se quando o artista digital Beeple vendeu uma peça por 69,3 milhões de dólares? Celebridades como Grimes entraram na onda, e até grandes marcas como o McDonald’s lançaram NFTs. No entanto, apesar deste buzz, a pessoa média estava confusa. Em 2022, embora 65% dos adultos nos EUA tivessem ouvido falar de NFTs, apenas 4% realmente possuíam algum, e mal 15% achavam que valia a pena comprar. Muitas pessoas simplesmente não percebiam o sentido de comprar algo digital que podiam capturar em screenshot.\n\nAs empresas de jogos foram algumas das primeiras a adotar, esperando revolucionar a indústria. A plataforma Quartz da Ubisoft, que lançou equipamentos baseados em NFT para Ghost Recon Breakpoint, foi uma das primeiras grandes tentativas. Mas a reação dos jogadores foi brutal — os fóruns estavam cheios de críticas, e o vídeo de lançamento foi inundado de dislikes. A Ubisoft retirou silenciosamente a funcionalidade após apenas algumas semanas. Outros estúdios como a Square Enix também tentaram, lançando projetos como Symbiogenesis, uma experiência de colecionáveis digitais baseada em blockchain. Apesar de funcionalidades promissoras como avatares NFT e benefícios desbloqueados via tokens especiais, estes projetos muitas vezes pareciam desajeitados ou forçados sem uma verdadeira procura dos jogadores.\n\nMesmo veteranos da indústria não escaparam ao hype. Will Wright, criador de The Sims, lançou o VoxVerse, uma plataforma social blockchain que não era apenas sobre NFTs mas sobre novos tipos de interações entre jogadores. De forma semelhante, Jon Van Caneghem introduziu Cloud Castles, um jogo de estratégia que integra blockchain para verdadeira propriedade dos ativos dentro do jogo. Mas estes projetos ficaram largamente estagnados, com poucas notícias ou progressos de desenvolvimento nos últimos anos.\n\nÀ medida que os primeiros jogos Web3 começaram a ser lançados, tornou-se claro que a revolução não estava a acontecer como prometido. O modelo play-to-earn dependia fortemente de trazer constantemente novos jogadores para sustentar os valores dos tokens, e quando esse crescimento parou, todo o sistema colapsou. Os preços dos tokens caíram, os jogadores perderam interesse e, em alguns casos, hacks eliminaram milhões de dólares, danificando a confiança de forma irreparável. Por exemplo, Ember Sword, um MMORPG muito aguardado, fechou apenas meses após o lançamento em acesso antecipado devido a problemas financeiros. Axie Infinity enfrentou um destino semelhante após o colapso do seu token e um grande hack na ponte Ronin que drenou centenas de milhões.\n\nAlguns desenvolvedores tentaram reduzir o aspeto de ganhar dinheiro, focando-se mais na jogabilidade e fazendo do ganho de tokens um benefício secundário em vez da principal atração. Mas mesmo assim, muitos projetos falharam em atrair ou reter jogadores. O Symbiogenesis da Square Enix terminou com um suspiro, lançando uma última temporada de conteúdo em meados de 2025 antes de fechar. O Quartz da Ubisoft vendeu poucos itens, com apenas 15 dos 2.256 NFTs cunhados a encontrar compradores nas primeiras duas semanas. No geral, o hype do Web3 nos jogos esmoreceu, deixando lições sobre os limites da tecnologia blockchain e a importância da confiança dos jogadores e do envolvimento genuíno.